[Review] Little Dragon – Ritual Union

A banda sueca eletrônica Little Dragon chega ao terceiro disco Ritual Union. Liderada pela cantora e percussionista mezzo sueca mezzo japonesa Yukimi Nagano, conta ainda com o baterista Erik Bodin, o baixista Fredrik Wallin e o tecladista Håkan Wirenstrand, e aqui  parecem alcançar o trabalho mais plural e significativo até então.

O Little Dragon tem por característica entregar discos de extremo bom gosto, começando em 2007 com “Little Dragon“, onde estruturas mais minimalistas foram utilizadas, podendo ser classificado como predominantemente downtempo, e teve faixas que funcionam muito bem pra ouvir a qualquer momento como ‘Test’ e ‘Twice’.

O trabalho posterior acrescentou algo e evoluiu em relação ao primeiro, incorporando mais elementos do synthpop, com linhas mais arrojadas, dançantes. Foram bem sucedidos em conferir um clima futurista e surreal ao disco. É um trabalho mais excitante se comparado ao primeiro, seja para dançar ou fechar os olhos e relaxar.

Após isto a banda se tornou conhecida por boa parte do seu público, graças a participação nas faixas, ‘Empire Ants‘ e ‘To Binge’ do Plastic Beach do Gorillaz, onde Damon Albarn, parece ter explorado o melhor do vocal cheio de groove da Yukimi Nagano, e o teclado rico em harmonia do Wirestrand. Além de Gorillaz, eles também participaram do disco solo de Dave Sitek do TV on The Radio.

Isso claramente resultou em um enriquecimento de dentro pra fora, no sentido em conseguir mais público e, após ouvir ‘Ritual Union’, podemos concluir que houve um ganho de fora para dentro, com experiência e confiança adquirida, parecendo emergir na qualidade e pluralidade do trabalho do grupo, que se permitiu ousar mais e acertou.

‘Ritual Union’ não é um trabalho homogêneo, apesar de continuar com uma linha predominante chillout dentro da eletrônica, fazendo-se valer de elementos da R&B, característica da voz da Nagano, e algo do dub característico do baixo de Wallin, mas o enriquecimento musical aconteceu em todos os sentidos. Podemos identificar as mais variadas texturas, sintetizadores cuidadosamente escolhidos, atmosfera hora mais densa, criando profundidade, e hora mais simples e ambiente, característica do grupo. Elementos de Nu Jazz, electro, pop, synth desfilam livremente entre as músicas e no meio de cada música, dificultando a missão de se atribuir gêneros as músicas.

Todas as coisas boas dos discos anteriores do Little Dragon continuam presentes, mas desta vez a impressão que fica é que foram potencializadas surgindo assim novas variantes musicais dentro do mesmo estilo.

Percorrendo as faixas do disco nota-se que a faixa ‘Ritual Union’ é a mais synthpop, com sintetizadores espertos, vocal dançante e ritmo mais acelerado, que são um convite pra dançar, sendo a música mais atraente aos não adeptos ou habituados ao estilo.

Algumas faixas como ‘Shuffle a Dream’, e de maneira mais tímida ‘Little Man’, ousam entrar na estutura clássica do pop, aonde a música toda é construída com o objetivo de chegar a um climax. Isso, se tratando de Little Dragon, é uma baita inovação, além das irmãs “electropop” de ‘Nightlight’ e ‘Please Turn’.

Se de um lado o Little Dragon deixa ainda a impressão que não explorou ao máximo o seu potencial, o grupo fez um bom trabalho ao longo de todo o disco e o melhor trabalho entre os discos, mostrando uma evolução substancial e se consolidando como uma banda pra ser notada e apreciada.

Nota 7.6/10

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