[Review] I Break Horses – Hearts

Quando se trata de manifestações artísticas vindas da Suécia é sempre bom ficar atento, esse é o caso da dupla Maria Lindén e Fredrik Balck do I Break Horses. Ao contrário do que você deve estar imaginando, eles não são mais uma banda de pop dançante à la Robyn. Pra ter uma idéia, Lidén compõe as melodias, Balck as letras, mas é Líden quem as canta e, além disso, eles se conheceram em um fórum de hipocondríacos na Internet.

Hearts, lançado via Bella Union, é (difícil definir) um som shoegaze, eletrônico hipnótico carregado de sintetizadores orgânicos e guitarras ecoando que em vários momentos remetem à M83 e My Bloody Valentine.  O álbum tem um caráter bem dreamy e pulsante como em “Winter Beats”, em que a bateria simples pode lembrar o pulsar do coração. Por outro lado, há algumas faixas mais intimistas e melancólicas, como “I Kill Love, Baby!” e “ Cancer” que deixam a obra mais obscura e nebulosa.

O vocal suave quase desparece entremeado às camadas de beleza e escuridão, assim, não é possível distinguir claramente cada palavra, e mesmo que fosse possível, a sensação é de que as letras não são importantes. Às vezes, é como se estivesse ouvindo o barulho do mar numa concha, parece que o som está sempre se aproximando ou passando por você e isso gera frustração, já que se anseia por um clímax que nunca vem.

O álbum remete a calmaria e o acolhimento daquele momento em que a tarde se confunde com a noite, ou o espaço de tempo antes de adormecer em que você não tem certeza se esta dormindo ou não. Ainda, despertou em mim aquele sentimento estranho de saudades de algo que ainda não se viveu.

Ouça Hearts, e veja se ele  ganha seu coração.


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