Lollapalooza Brasil 2012: Um divisor de gerações do indie rock.

Quem esteve presente no festival sabe muito bem do que eu estou escrevendo. Um divisor de águas: os sem festivais e os com festivais. Não desmerecendo o Planeta Terra  e muito menos o esforço do SWU, o Lollapalooza Brasil veio pra consagrar, principalmente no indie rock, uma nova era dos grandes shows de grandes públicos, em dias separados e a confirmação do festival em 2013 é uma prova disso.

Muita gente linda, dançando, abraçadas, se beijando, risadas para todos os lados, correria de um palco pra outro, pontualidade de uns, atrasos de outros, roupas demais e de menos, cerveja gelada, mesmo com as filas horrendas e por 2 “pillapaloozas”, todos os celulares sem sinal, mas todo mundo feliz da vida e bem resolvidos com a fila que encararam para entrar nos dois dias do festival. Então, oremos pelo que há de vir e oremos ainda mais para que venha com maior compreensão da cidade que adotar os shows, com uma polícia treinada para eventos, com transporte para que as pessoas possam voltar pra casa, por que o que aconteceu no metrô no sábado foi um absurdo, e mais tudo aquilo que todo mundo está falando em todos os blogs, sites e blá blá blás…

Enfim, os reviews dos shows vistos pelo 505 indie bloggers:

Sábado – 7 de abril

Band Of Horses  – por Lua Specian :

Com integrantes contidos, mas visivelmente emocionados, a banda fez um show com o som mais limpo e com o cenário mais lúdico de todo o primeiro dia do festival. Com o palco virado pro lado que se poria o sol, Ben Bridwell cantou pra galera como se não houvesse amanhã, principalmente em  No One’s Gonna Love You, onde fez a mim e mais algumas outras pessoas ficar com os olhos mareados. Lindo define.

Tv On The Radio – por Lua Specian

Começando quase simultaneamente com o fim do show do Band Of Horses, e dessa vez com um público morno, Tv On The Radio foi uma surpresa pra quem assistiu.  Adebimpe cagou pra quem tava ali só pra ver o Foofy  Foo Fighters, pôs o vozeirão pra fora e fez o dele da melhor forma possível. Como eu disse, uma surpresa.

Joan Jett and The Blackhearts – por Lua Specian

Com os P.A´s cagados e o som super baixo,tirando o macacão de olho de gato de bicicleta hype que usava, eu só tenho uma coisa pra falar do show da Sra. Jett : “… I love rock´n roll , na na na na na na na na the jukebox, baby, I love rock n’ roll
na na na na na na na na dance with me…”. Obrigada Brasil!

Foo Fighters – por Raphael Pousa

Talvez a banda mais esperada deste começo de século, desde o Rock in Rio 2001 não voltavam, o Foo Fighters entrou em ponto às 20:30 no Jóquei no show mais esperado do Festival. Um show político (usando este termo para o caso de que o show seria ótimo como todos já esperavam), alucinante, ensurdecedor. Dave é um regente! Um carisma de um grande cara, de um excepcional rock star. A banda entra com All my life. E a partir daí várias surpresas, poucas músicas do (excelente) ultimo álbum, e um coro memorável para quem estava na platéia. Uma banda que faz música por amor (e claro para ganhar muito dinheiro, coisa que a maioria esquece o amor), uma banda com prazer de palco, que sustenta o bom rock clássico até hoje, que nos faz ficar arrepiados e vidrados em cada verso de sua música, no barulho da guitarra, da bateria e do grito de Dave. Este que nos fez ter nostalgia ao subir para tocar bateria (todos os fãs do grunge choram neste momento). Um Pat Smear sisudo, quieto e contrariamente agitado. O sensacional Taylor Hawkins que não deixa nada a desejar na bateria do seu “professor” Dave. Um show memorável em um festival com mais acertos que erros. Everlong pra fechar, mesmo sendo clichê, para eternizar nos ouvidos de cada um que estava lá naquela noite. Dave é atualmente o maior vocal do rock (mesmo quando a garganta já não o ajuda).

Domingo –  8 de abril:

Gogol Bordello – por Lua Specian

Maravilhoso. Mágico. Gypsy Punk dos mais elegantes! Nem o solzão batendo forte na cara de geral desanimou quem estava ali pra ver o carismático Yevgeniy Aleksandrovich Nikolayev, a.k.a  Eugene Hütz e sua banda. Todo mundo cantando, pulando, gritando junto, com a sensação de que se o mundo acabasse depois do show ia estar tudo certo. O único problema é que a uma hora redonda do show foi pouco. Com a garrafa de vinho numa mão e o microfone na outra, Hütz abriu os trabalhos do domingo com perfeição. Sem treta!

Black Drawing Chalks – por Lua Specian

Foi emocionante ver uma banda de goianos comedores de pequi – como se denominaram- tocar com tanto afinco e ter o feedback do publico imediatamente. Quem estava na frente do palco, e não eram poucas pessoas, realmente estava ali por causa deles, já que ao mesmo tempo estava rolando o rebolation  Friendly Fires. Todo mundo cantando tudo que a banda tocava. Rock nacional de letras e riffs de impacto. Um puta de um show.

Manchester Orchestra – por Lua Specian

Muito bom! Muito bom mesmo! Showzaço com a guitarra pesada, bateria agressiva e vocal maravilhoso, Manchester Orchestra foi azarona em ser o unico show naquele horário e antecipar  Foster the People e Arctic Monkeys no palco Cidade Jardim. Eles não passaram batidos pelas pessoas que estavam ali esperando pelos ultimos shows do ultimo dia de festival.

MGMT – por Lua Specian

Deixaram de tocar um monte de coisas. Pareciam estar com preguiça de estar ali. Foi lindo escutar Time To Pretend com o céu carregado de nuvens, ventando forte, raios pra todos os lados e a chuva fria. Lindo e assustador. Mas meu medo acabou logo porque eu sai dalí pra pegar um lugar bom pra ver os lindos do Foster The People. Fim do MGMT.

Foster The People – Por Rodrigo Fonseca

A felicidade estava estampada no rosto da banda! Simpáticos e se divertindo no palco o trio (que no palco vira quinteto) fez um belo show no começo de noite enquanto a chuva dava um trégua. Tiveram a sorte de pegar um som melhor que do primeiro dia. Foi sensacional ver todo mundo dançando ao som de Call It What You Want e Pumped Up Kicks, com direitos a jam nos finais e uma corrida do Mark Foster no meio da galera!

Velhas Virgens – Por Rodrigo Fonseca

Pra mim a maior surpresa no line-up! O Velhas não é popular e não toca na rádio/tv como o Paulão faz questão de lembrar. Eles tocam aquele rock’n’roll sujo, com palavrões e temas sobre bebidas, mulheres, sexo e rock’n’Roll, e foi isso que eles levaram ao palco durante uma hora de show, no aquecimento para o show principal da noite e com um público muito mais empolgado do que eu poderia imaginar. Épico ver todo mundo cantando Abre essas Pernas em um festival!

Arctic Monkeys – Por Rodrigo Fonseca

Alex Turner e seu topete estavam lá e a chuva resolveu voltar nos primeiro acordes de Don’t Sit Down ‘Cause I moved Your Chair. Ela não atrapalhou nada o show que ingleses fizeram, músicas rápidas emendadas logo em seguida, os dois singles mais novos Evil Twin (Com o Alex dizendo que ama a música) e R U Mine levantando a galera, pausa pro bis e fechando o show com Fluorescent Adolescent e – pra minha enorme supresa e felicidade – 505! Para nós do 505indie, o festival não poderia terminar com uma música melhor!


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